domingo , setembro 24 2017
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Adeus João Rath, doutor de letras e conhecimento

 

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Eu era apenas um guri, aluno do Colégio Industrial, e em meu caminho passava defronte um estabelecimento “A Sua Livraria”. Ficava ali na Rua Nereu Ramos quase esquina com a Praça da Catedral.

E lá estava o proprietário João Rath e a esposa, sempre às voltas com estudantes e apaixonados por um bom livro. Muito tempo depois, a livraria mudou, na mesma rua, mas ao lado da Galeria Dr Acácio.

A vitrine era pequena, mas o sofá e a recepção de João Rath eram grandes, aliás, enormes, capaz de correr os cadernos de literatura dos grandes jornais.

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Cabeças iluminadas da cidade no “sofá do João Rath”

São algumas das memórias de uma pessoa fantástica, que faleceu aos 92 anos e cujo velório está acontecendo na Capela São Pedro. O funeral será às 16h30min, no Cemitério Cruz das Almas. E com certeza a cultura lageana perde um de seus referenciais.

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2 Comentários

  1. Névio S. Filho

    É claro que quem viveu a Lages de outrora, como o meu pai, Névio Fernandes, deve achar difícil a vida em ambiente tão agitado e atual e que muda a toda a hora em relação a um passado em que contávamos as horas, as datas, havia a preparação para as festas, o footing, as conversas jogadas fora sob as luz dos lampiões de querosene, comprei alguns livros na Sua Livraria, na época do Colégio Diocesano e a onda atual dos shoppings, com certeza acabou com as antigas reuniões festivas nas livrarias, que sem dúvida eram os pontos de encontros dos literatos e amantes da leitura no passado. Hoje a internet, fria e sem sentimentos, nos joga para um mundo que deve ser desvendado a toque de caixa, sem emoção e sem o menor romantismo. Porque naquela época havia a escalar tempo, a vida passava devagar, sem pressa, sorviamos tudo com calma, os amigos, as relações, os livros, tudo tinha um gosto a ser saboreado devagarinho. Tristemente, nossos intelectuais e desbravadores da cultura lageana estão indo embora e o mais triste, não estão deixando seguidores, só restam as brumas do tempo e as recordações, João Rath, Souto Maior, Malinverni Filho, devem estarem realizando belos saraus lá no céu e sozinho, nosso grande baluarte Névio Fernandes, quem sabe um dos únicos contadores das histórias lageanas ainda inssiste em aviva-las em seus comentários, até quando…pois não damos o devido valor a nossa história. Deveríamos proibir nossos intelectuais de morrerem, aí não tem graça nenhuma.

  2. Jacinto Bet

    Lastimo profundamente a perda. Presto minha solidariedade a familia, principalmente ao meu irmao Carlos.

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