Há uma analogia comum no meio educacional que associa a escola às coisas imutáveis no mundo. Quem a narra afirma que se Aristóteles visitasse uma escola do presente não perceberia nenhuma mudança.

Ressalvadas as inovações estéticas, pedagogicamente as práticas, em muitas situações, remontam aos primórdios das técnicas de ensinar e aprender.

Com o advento das medidas de distanciamento social e a adoção de aulas remotas síncronas, em tempo real, a sociedade, ao observar nas suas casas as interações entre alunos e professores se deparou com esse paradoxo: avançamos muito em tecnologias de informação e comunicação (TIC´s) e pouquíssimo na forma clássica de transmitir os conteúdos aos alunos.

Na prática, entramos em um cenário semelhante à fábula de Hans Christian Andersen com As roupas novas do “professor”, desnudado e gravado, aplaudido pelos néscios e por si próprio pela tarefa hercúlea de ter conseguido utilizar uma tecnologia que está disponível desde o início deste milênio.

Por sua vez, na educação superior, identificou-se rapidamente, nas instituições privadas, a necessidade da qualificação imediata do corpo docente para o uso pedagógico das TIC´s dada a constatação que muitos professores têm uma competência técnica formidável na sua área com quase nenhuma habilidade pedagógica.

Apresentar esta análise não tem o propósito de levar ao júri o professor, pelo contrário, visa
abrir o debate para encontrar coletivamente uma alternativa para incorporar na educação
presencial as TIC´s utilizadas na Educação a Distância e, ao mesmo tempo, na EaD as interações e mediações próprias do ensino presencial.

Sobre este tema, fiz uma pergunta ao diretor de políticas regulatórias da SERES/MEC, Márcio Coelho, no bate-papo virtual de 16 de junho promovido pela AMBES, se não era chagada a hora de termos um modelo único de educação para eliminarmos essa dicotomia.

A resposta foi que o CNE deverá pautar esta proposta de uma modalidade única e híbrida, ou seja, uma “educação mediada por tecnologia” nas palavras de Celso Niskier da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (AMBES) em que não se fale mais em modalidade EaD e/ou presencial. Fale-se de educação, pois nos diplomas nunca houve esta distinção.

Se já tivéssemos avançado nesta compreensão não teríamos uma legião de alunos órfãos de educação há quase três meses em razão de suas universidades não saberem o que fazer desde que foi fechada a sala de aula física e, ao mesmo tempo, outra, indignada por sua aula ter “virado” Ead. As instituições e os gestores que integraram as tecnologias no seu cotidiano acadêmico tornaram-se vanguarda.

Prof. Geovani Broering, Reitor do Centro Universitário Unifacvest

Lages (SC), em 26 de junho de 2020

 

==============================

#BlogdoBarão

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here