DESTAQUES: Fernanda Córdova fez votos para se eleger estadual. A rejeição matou o projeto de Colombo. Marcius teve de raspar o tacho no Cerrito e Painel. Lucas Neves mostrou como se ganha eleição. Polaco catou quase 1.500 votos na Serra. Abraçar Jorge Goetten não foi uma boa estratégia. A bancada da Serra diminui, em vez de aumentar. E os delírios de Bianchini.
NOVA LIDERANÇA
Com praticamente zero de rejeição, Fernanda Córdova foi crescendo durante a campanha e ficou muito perto da eleição. Em Lages, conquistou 21.393 votos e chegou a 38.752 votos no total. Com essa votação, estaria eleita deputada estadual em outra composição eleitoral.
Mas, como novata, precisou seguir ordens superiores e jogar conforme o time. O resultado a credencia para voos mais altos. Primeiro, quem sabe, a Prefeitura de Otacílio Costa. Depois, se o vento continuar soprando a favor, pode pensar em voos ainda mais altos.
CHUTEIRAS
A rejeição pesou contra Raimundo Colombo. O ex-governador somou 19.393 votos em Lages, mas não conseguiu transformar sua força política histórica em uma nova vitória.
É um recado que sua equipe precisa avaliar com lupa. Talvez seja hora de pensar seriamente em pendurar as chuteiras, cuidar da fazenda e deixar a política descansar um pouco.
ENGENHEIROS
Quem também precisa rever estratégias é o deputado Marcius Machado. Reeleito, sim, mas a conta apertou. Foi preciso raspar o tacho no Cerrito e no Painel para completar a votação.
Mesmo contando com o apoio de vários vereadores, a volta à Alesc não foi exatamente um passeio no Tanque. Foram 37.601 votos.
Talvez seja hora de rever algumas pautas e prioridades. Quadras de grama sintética e equipe de engenheiros podem até render assunto, mas eleitor também gosta de lembrar que deputado tem, antes de tudo, assessoria parlamentar e mandato para trabalhar.
TIMAÇO
Lucas Neves mostrou como se ganha eleição. Suas pautas ajudaram, mas ele também soube ouvir o time e percebeu que precisava ir além das fronteiras de Lages. Foi.
O resultado passou por cima das previsões: 40.804 votos em Lages, mais do que Colombo e Fernanda juntos, e 82.706 votos no total. Ou seja, buscou praticamente a outra metade da votação fora de casa.
Mérito de uma estratégia que funcionou e de um timaço de estrategistas, sob o comando de Juliano Chiodelli e Maurício Batalha Machado. Enquanto uns ficaram olhando para o próprio umbigo, Lucas foi buscar voto onde ele estava.
CABO ELEITORAL
Já escrevi uma vez e repito: se um dia eu fosse candidato, convidava o vereador Polaco para ser meu cabo eleitoral. O homem foi buscar 1.428 votos para Júlio Garcia na Serra. E Júlio se elegeu deputado federal com 114.391 votos.
Polaco mostrou que sabe entregar voto. Em compensação, existem uns e outros que eu não convidaria nem para distribuir santinho na esquina. Mas não vou citar nomes. Afinal, a amizade também precisa sobreviver às eleições…
ERRO IRREPARÁVEL
Pode ser considerado um erro político daqueles difíceis de explicar o fato de o Paço ter abraçado um deputado de Itajaí, praticamente desconhecido em Lages, que recebeu apenas 1.554 votos na cidade.
O resultado está aí: Lages ficou sem representatividade em Brasília e Jorge Goetten não se reelegeu. Agora fica a pergunta: quem vai pagar essa conta política?
BANCADA
E a bancada da Serra na Alesc? Já tivemos quatro deputados. Agora, para a próxima legislatura, ficamos com dois: Lucas Neves e Marcius Machado. Berlanda não se reelegeu e Mario Motta fincou raízes na Capital.
Menos deputados significa, também, menos força política para buscar recursos. E depois não adianta reclamar quando faltar emenda para pavimentar uma rua, construir alguma obra ou até resolver aquela velha boca de lobo que insiste em aparecer em toda eleição. A Serra perdeu força. E isso não é pouca coisa.
BAILÃO
Por mais amiga que seja a pessoa, às vezes fica difícil dizer: “Não se meta nisso, porque não vai dar certo”. Foi o que aconteceu com Claudio Bianchini, do PP, que terminou a eleição com 483 votos.
Era possível perceber que a candidatura tinha poucas chances. Mas ele preferiu acreditar. E acreditou até o fim. Política também exige coragem para disputar. Mas exige, principalmente, juízo para saber quando a pista está vazia e não adianta chamar a banda para tocar.
O RESTANTE
O restante eu conto depois.
Porque eleição terminou no domingo, mas as histórias, os erros, os acertos e as explicações continuam por muitos dias.
E aqui, vocês sabem: a navalha não tira férias.
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