Com uma produção anual de cerca de 5 mil toneladas e o envolvimento de mais de 10 mil famílias, Santa Catarina tem no pinhão mais do que um alimento típico de inverno
Diante desse cenário, ao longo dos últimos anos o poder público tem atuado para fortalecer o segmento, com base fortemente ligada à agricultura familiar, por meio da aprovação de normas que combinam incentivo econômico e o reconhecimento de tradições gastronômicas associadas ao produto.

Incentivo à comercialização
Um dos principais instrumentos nesse sentido é a Lei 15.465/2011, de iniciativa do governo do Estado, que isenta da cobrança do ICMS as operações internas e interestaduais de saída do pinhão em estado natural.
O objetivo da norma é estimular a comercialização, aumentar a competitividade e ampliar a renda dos produtores, especialmente dos pequenos agricultores que dependem da safra.
Fonte de renda complementar
Quinze anos após sua criação, a medida tem se mostrado importante, sobretudo para os produtores de municípios da Serra, que têm grande parte da base econômica ligada ao produto.
Esse é o caso de Dercírio Alves de Arruda, cuja colheita do pinhão serve como complemento à renda proveniente da criação de gado.
Aos 77 anos, ele relembra que foi um dos pioneiros na comercialização da semente na região, ainda na década de 1970, quando se mudou de Painel para Urupema.
Na época, a venda do pinhão ainda era incipiente e voltada principalmente a comerciantes de São Paulo, que utilizavam o produto para abastecer festas juninas.
Com o tempo, observa, o pinhão deixou de ser uma iguaria sazonal e passou a integrar o consumo cotidiano, com ampliação gradual do mercado.

Incorporação à merenda escolar
Outra iniciativa para fortalecer o segmento é a Lei 19.130/2024, de autoria do deputado Neodi Saretta, que determina que o pinhão utilizado na merenda escolar da rede estadual seja adquirido diretamente da agricultura familiar, da economia popular solidária e de empreendimentos familiares rurais catarinenses.

Urupema
No município de Urupema, a inclusão do pinhão na alimentação escolar já ocorre há alguns anos como forma de estímulo à economia local.
Pinhão como identidade regional
Outra estratégia de fomento à cadeia produtiva do pinhão tem sido a valorização das práticas culturais e gastronômicas associadas ao produto.
Legislação
Duas leis (19.115/2024 e 19.114/2024), de autoria do deputado Marcius Machado, reconhecem, respectivamente, o entrevero e a paçoca de pinhão como patrimônios culturais imateriais do estado.
Mais do que pratos típicos, eles ocupam lugar de destaque na cultura gastronômica catarinense — especialmente no Planalto Serrano —, reunindo hábitos e modos de vida transmitidos entre gerações e ajudando a preservar costumes ligados ao inverno e à colheita do pinhão.
Entrevero
O entrevero, preparado com diferentes tipos de carne, legumes e temperos, remete ao cotidiano dos tropeiros, que utilizavam os ingredientes disponíveis para compor refeições coletivas.

Paçoca de Pinhão
Já a paçoca de pinhão, feita a partir da semente da araucária, tem origem nas tradições indígenas e foi incorporada à culinária regional como alimento energético e de fácil preparo.
Produção estadual e impacto econômico
Atualmente, Santa Catarina está entre os principais produtores nacionais de pinhão.
34,9% da produção brasileira
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o estado responde por 34,9% da produção brasileira.
Somente em 2025, foram colhidas cerca de 5,4 mil toneladas, gerando mais de R$ 32 milhões em renda.

Fonte: Agência Alesc / Alexandre Back
Foto: Rodrigo Corrêa/Agência Alesc
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