Aulas começam no dia 16; reitor Geovani Broering também anunciou investimentos em estruturas hospitalares e o hospital universitário, em um prédio de 12 pavimentos e alta tecnologia
A Unifacvest anunciou, na manhã de quinta-feira (1º), a implantação do curso de Medicina. Em encontro com a imprensa, o reitor da instituição, professor-doutor Geovani Broering, informou que a primeira turma terá 60 estudantes, com início das aulas previsto para 16 de novembro. A universidade também planeja novas turmas em fevereiro e julho de 2027, até que o calendário acadêmico esteja regularizado.
Segundo Broering, a implantação do curso é resultado de um projeto discutido pela instituição desde 2011, quando começaram os primeiros investimentos e a preparação do processo de autorização. O reitor relatou que a iniciativa foi interrompida após mudanças na política federal de abertura de novos cursos de Medicina, levando a universidade a recorrer à Justiça e a aguardar a possibilidade de retomar o projeto.
A estrutura acadêmica está preparada para receber os primeiros estudantes, conforme o reitor. O curso contará, inicialmente, com cerca de 12 professores, dentro de um quadro previsto de aproximadamente 60 docentes. Parte dos profissionais virá de outros estados, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, além de professores do Oeste catarinense.
Modelo de ensino e estrutura
O curso adotará um modelo que combina aulas teóricas, atividades em simuladores e, posteriormente, práticas com pacientes. Broering explicou que a proposta segue uma metodologia já utilizada nos cursos de Odontologia e Fisioterapia da instituição, com o objetivo de oferecer uma base teórica antes de expor os estudantes às situações de atendimento.
A universidade contará com um Hospital Simulado, apresentado pelo reitor como uma estrutura de referência nacional, e com equipamentos e laboratórios voltados à formação na área da saúde. A proposta é que os alunos avancem gradualmente da teoria para a prática, com foco na preparação técnica e na segurança dos atendimentos.
Bolsas de Estudo
Durante o encontro, o reitor também mencionou que o valor da mensalidade do curso será divulgada na sexta-feira (2). Sobre bolsas de estudo, afirmou que a instituição participa do programa Universidade Grtuita e do Fundes, mas que o credenciamento para o novo curso não estará disponível para a primeira turma. De acordo com as informações apresentadas, a possibilidade de acesso ao programa deverá ser considerada em um processo futuro.

Hospital Universitário e ampliação da área da saúde
Entre os investimentos anunciados, está a construção de um Hospital Universitário Unifacvest, com obras previstas para começar em novembro. O projeto deverá ser integrado à atual unidade de saúde da universidade e, conforme Broering, terá inicialmente cerca de 12 pavimentos. A previsão mencionada pelo reitor é de que a obra leve de quatro a cinco anos para ser concluída.
A estrutura deverá reunir serviços clínicos e atendimento em diferentes áreas, com acesso pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e por convênios. Broering afirmou que a construção será financiada com recursos próprios da instituição, sem previsão de repasses públicos para a execução do empreendimento.
O reitor também destacou a expectativa de ampliar a oferta de especialidades médicas na região. Segundo ele, a implantação do curso poderá contribuir para atrair profissionais de áreas ainda pouco disponíveis localmente, estimando a possibilidade de incorporar cerca de 25 especialidades. A universidade pretende, ainda, ampliar o atendimento à comunidade por meio de serviços vinculados à formação dos estudantes.
Impacto na economia local
Além dos reflexos na área da saúde, Broering afirmou que a chegada dos estudantes deverá movimentar diferentes setores da economia de Lages, especialmente moradia, comércio, alimentação e construção civil.
A estimativa apresentada pelo reitor é de que cerca de 90% dos alunos da primeira turma venham de fora da cidade e da região. Com isso, a instituição calcula a necessidade inicial de aproximadamente 40 unidades habitacionais até o começo das aulas, em novembro; com outras 40 previstas para janeiro. Ao longo da implantação do curso, a demanda poderá chegar a cerca de 500 unidades de moradia, conforme a projeção apresentada.
Broering citou o desenvolvimento do município gaúcho de Passo Fundo (RS), que possui três cursos de Medicina em instituições públicas e privadas, como exemplo do potencial de movimentação econômica associado à formação médica. Na avaliação do reitor, a presença de estudantes de outras regiões pode estimular investimentos imobiliários, gerar empregos e ampliar o consumo local.
Projeção de 270 mil habitantes
O reitor projetou que Lages poderá alcançar 270 mil habitantes em dez anos, caso haja articulação entre instituições, empresários e poder público para impulsionar o desenvolvimento. A estimativa foi apresentada como uma perspectiva de crescimento, relacionada não apenas ao curso de Medicina, mas também à capacidade de a cidade atrair novos investimentos.
A implantação do curso representa uma nova etapa para a universidade e uma oportunidade de ampliar a oferta de serviços especializados à população. A instituição afirma que pretende associar a formação acadêmica à expansão da estrutura de saúde e à prestação de atendimentos à comunidade.

Texto: Folha da Serra / Cláudia Pavão
Fotos: Milton Barão
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